Demografia e epidemia no Brasil

Gabriel Borges, OLAC

A pandemia de COVID-19 tem assustado a população de todo o mundo pelas suas altas taxas de transmissibilidade e letalidade, ainda que haja muita incerteza a respeito dessas medidas.

Apesar de boa parte dos casos serem assintomáticos ou apresentarem sintomas leves, o número de pessoas que precisam ser hospitalizadas tem excedido a capacidade instalada dos sistemas de saúde em quase todo o mundo. Essa constatação, somada à alta taxa de letalidade, particularmente em certos grupos populacionais, tem preocupado a população brasileira, assim como as de outros países. Essas são as principais justificativas para as medidas que têm sido adotadas para “achatar a curva”, como distanciamento social.

Até a data em que esta nota é escrita (24/03/2020), os estados de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) concentram cerca de metade dos casos confirmados de COVID-19. Esses são também os únicos estados a registrar óbitos pela doença até o momento (40 em São Paulo e 6 no Rio de Janeiro). Todas as Unidades da Federação (UF) brasileiras já têm pelo menos um caso confirmado, e é esperado que estes casos continuem a se espalhar rapidamente pelo país, bem como o número de mortes. As informações atualizadas sobre número de casos e mortes podem ser acessadas aqui.

Diversos fatores têm sido apontados como fundamentais para o entendimento do nível de gravidade da pandemia em cada contexto, como a capacidade de realização de testes, a organização dos sistemas de saúde, disponibilidade de leitos hospitalares, coordenação política, fatores comportamentais e reação da população a políticas de isolamento, além de características sociodemográficas da população. Essas questões têm sido frequentemente consideradas na adoção de medidas para a redução da velocidade de crescimento da epidemia.

Esse post foca em questões demográficas que têm sido apontadas como determinantes para a severidade da epidemia, como seu impacto na sobrecarga dos sistemas de saúde e nas altas taxas de morbimortalidade. Destaca-se a distribuição etária da população e a estrutura familiar e domiciliar, com atenção para os diferenciais regionais, mais precisamente entre as Unidades da Federação.

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